Mobilidade em Berlim
Pedalar, ou o sinónimo de liberdade
Teresa e Rita, de Lisboa e Porto respetivamente, contam-nos as suas experiências a pedalar pela cidade de Berlim e propõem algumas ideias para melhorar o seu uso também na capital lisboeta. Com todos os altos e baixos inerentes à sua utilização diária, a conclusão é clara: a bicicleta é o seu meio de transporte de eleição.
De Rita Guerreiro
Teresa e Rita, de Lisboa e Porto respetivamente, contam-nos as suas experiências a pedalar pela cidade de Berlim e propõem algumas ideias para melhorar o seu uso também na capital lisboeta. Com todos os altos e baixos inerentes à sua utilização diária, a conclusão é clara: a bicicleta é o seu meio de transporte de eleição.
Depois do curso de tradução na Universidade Nova, Teresa chegou a Berlim em 2015 ao abrigo do programa Erasmus e ficou até hoje. “Demorei um ano a pegar na bicicleta. Foi muita coisa ao mesmo tempo: era a primeira vez que vivia sozinha, que tinha uma experiência profissional exigente e uma língua nova para aprender. Eram muitos desafios. Até que finalmente tive um clique e comecei a andar de bicicleta”. Já Rita começou logo a pedalar assim que se mudou em 2012, acabada a licenciatura de cinema na Escola Superior de Teatro e Cinema em Lisboa e do Erasmus em Praga. Uma vez em Berlim, achou os transportes muito caros, e a bicicleta tornou-se assim a melhor opção.
Pelas ruas de Berlim em bicicleta
Teresa raramente usa transportes. “Só deixo de andar de bicicleta quando há gelo na rua. Com o aquecimento global os invernos têm sido mais amenos...”. Rita confirma que é possível circular sobre duas rodas durante grande parte do ano em Berlim. “Acho que praticamente não há obstáculos à circulação. Habituei-me a andar de bicicleta quase o ano inteiro. Menos na altura da neve, aí uso os transportes. Há pessoas que estão habituadas e andam à mesma, mas pode ser perigoso”. Adaptar-se ao clima pode ser mais simples do que se pensa: “Quando está muito calor, tento evitar as piores horas. Mas os dias quentes aqui não são muitos. O calor não é um problema para mim, é mais a chuva. Mas comprei um casaco impermeável que é o suficiente”. Com o equipamento certo, Teresa não vê obstáculos ao uso diário da bicicleta, que considera “uma facilidade enorme” e a faz sentir completamente independente. “Não tenho handicap nenhum, é pegar na bicicleta e ir. Não tenho que me preocupar onde estacionar. Ao mesmo tempo estou a fazer exercício. É a melhor coisa que posso fazer para a mente e corpo”.
Qualidade de vida na cidade
Quando vai a Lisboa, Teresa não usa bicicleta, prefere andar a pé: “Vou a pé para todo o lado. A minha família vive no centro de Lisboa. Como estudei na Nova, sempre fui a pé de casa para a Universidade e era mais rápida do que o autocarro...”, lembra. “Na minha experiência, torna-se insuportável usar metro nas horas de ponta”, diz Rita, que não guarda saudades de andar nos transportes públicos em Lisboa nos seus anos de estudante. Teresa chegou a ir de bicicleta, mas rapidamente descartou essa opção devido a “carros estacionados em cima dos passeios, muitos buracos nas estradas e pouca confiança nos condutores”. Ao contrário de Lisboa, em Berlim andar de bicicleta “é a norma” desde há várias décadas. “Existem mais ciclovias e nas estradas em que não as há os carros têm mais respeito. Acho que estes são os dois pontos mais importantes”.Ambas concordam que o cenário melhorou entretanto, há mais ciclovias e já se nota alguma circulação de velocípedes, mas ainda há muito para fazer em Lisboa. “Acho que uma das formas de as pessoas aderirem mais ao uso da bicicleta seria incutir essa mentalidade nos cidadãos. Amesterdão também é uma cidade com ruas estreitas e é dominada por ciclistas. Isso deve-se à mentalidade e à cultura que foi incutida ao longo dos anos. Acho que falta um pouco essa mentalidade ecológica e sustentável aos portugueses para se motivarem e se identificarem com essa nova forma de transporte”, diz Rita. Teresa defende que faltam espaços verdes e lugares agradáveis para andar a pé. “A qualidade de vida na cidade melhoraria, com menos poluição aérea e sonora. Ajudaria também a refrescar. Em dias de muito calor quase não se consegue andar a pé porque há pouca sombra e a cidade aquece imenso”, continua. “Seria preciso retirar carros e fazer com que seja cada vez mais desconfortável usar carro na cidade. Não só em Lisboa, mas em qualquer cidade. E não só para possibilitar o uso das bicicletas, mas para melhorar a vida dos peões e de todos os que vivem na cidade”. Rita sublinha ainda a topologia de Lisboa, que pouco ou nada tem comum com Berlim. “Teria que se transformar totalmente para poder acomodar os ciclistas. Em bairros como Alfama ou o Bairro Alto provavelmente seria preciso reestruturar as ruas e reformular completamente o espaço para carros, ciclistas e peões”.
Como melhor a qualidade de vida nas grandes cidades?
- Reduzir a circulação automóvel
- Implementar uma rede de transportes públicos eficiente
- Aumentar passeios/ zonas pedonais
- Criar espaços verdes e zonas arejadas
- Investir em ciclovias