Com o tradutor Mário Gomes e a autora Joana Bértholo
No dia 20 de abril, às 19h00, será apresentada, na biblioteca do Goethe-Institut em Lisboa,
A República dos Doutos, a segunda obra de Arno Schmidt publicada em língua portuguesa pela editora Abysmo. A escritora Joana Bértholo falará com o tradutor Mário Gomes sobre os desafios de traduzir a escrita de Arno Schmidt e o papel especial que o autor ainda hoje desempenha na literatura de língua alemã.
A República dos Doutos ("Die Gelehrtenrepublik") é um romance distópico de Arno Schmidt, publicado originalmente em 1957, que conta a viagem de um jornalista norte-americano, Charles Winer, a uma ilha artificial construída em pleno Oceano Pacífico para albergar artistas e investigadores de todo o mundo. Para lá chegar, contudo, é preciso primeiro atravessar uma vasta extensão devastada pela guerra nuclear e povoada por "hominídios", estranhas mutações de seres humanos com animais e insectos.
Mário Gomes (1978, Bona) estudou linguística e literatura em Lisboa e Bona, e é doutorado em Teoria da Literatura pelas Universidades de Bona e Florença. Foi docente de literatura, estudos mediáticos e tradução literária em várias universidades, incluindo a Universidade de Bona, a Universidade das Artes em Berlim e a Universidade de Concepción, no Chile. Como tradutor literário, Gomes traduz prosa e poesia para alemão, português e espanhol. Entre os autores que traduziu destacam-se Arno Schmidt, Luís Quintais e Mike Wilson. Na editora chilena Alquimia, atualmente dirige uma colecção dedicada à poesia contemporânea em língua alemã, que abriu em 2021 com um volume de poesia de Ann Cotten. Na mesma série, acaba de ser publicada uma tradução de
Australien, de Jan Wagner. O seu romance
Berge, Quallen, escrito em colaboração com Jochen Thermann, foi publicado pela editora Diaphanes em 2016. Para o projecto seguinte, Gomes recebeu uma bolsa de escrita do Fundo Alemão de Literatura em 2017. Em português, publicou uma coleção de contos com a editora Douda Correria (
Conjunto de 3, 2019). Recentemente foi galardoado com o prémio de reconhecimento da cidade de Zug, Suíça, (Zuger Anerkennungspreis) pela tradução do romance
Leñador de Mike Wilson.
Joana Bértholo, nascida em 1982 em Lisboa, é dramaturga e escritora. Em 2010 publicou o seu primeiro romance
Diálogos para o Fim do Mundo, vencedor do Prémio Maria Amália Vaz de Carvalho, seguido da coleção de contos
Havia, que foi adaptada para teatro várias vezes no Brasil, e o romance
O Lago Avesso (2013). Este último foi escrito em Berlim. O seu primeiro livro infantil,
O Museu do Pensamento, foi eleito o melhor livro infantil ou para jovens adultos pela Sociedade Portuguesa de Autores e também ganhou o prémio na Festa Literária de Fátima.
Ecologia (2018) fala de uma sociedade onde as palavras se estão a tornar uma mercadoria pela qual todos têm de pagar. Ao longo dos anos, trabalhou extensivamente em teatro e dança, escrevendo as suas próprias peças ou apoiando a escrita de outros autores. Em 2018, a sua peça
Quarto Minguante foi representada no Teatro Nacional Português D. Maria II, em Lisboa. O seu mais recente romance,
A História de Roma, foi publicado em 2022.
Voltar