40.° edição do Festival de Almada
Nos dias 15 e 16 de julho, o Centro Cultural de Belém acolhe no âmbito do
Festival de Almada, a
Schaubühne de Berlim com a peça
Everywoman. Esta criação assinada pelo
Milo Rau, que no Pequeno Auditório do CCB faz com que o teatro dialogue com o vídeo. A interpretação fica a cargo de uma das mais aclamadas atrizes do elenco da companhia alemã:
Ursina Lardi.
Everywoman, por Milo Rau
Em 2021 o Festival de Salzburgo propôs a Milo Rau que encenasse
Jedermann (que pode traduzir-se por Todos os homens), de Hugo von Hofmannsthal (1874-1929), uma peça anualmente revisitada por numerosos artistas convidados pelo certame. Mas Rau, que se tem dedicado ao teatro documental, não lhe interessava montar essa alegoria, na qual um homem rico é visitado pela morte. O que ele queria mesmo era voltar a trabalhar com uma atriz do elenco residente da Schaubühne, Ursina Lardi, que considera a melhor intérprete de teatro em língua alemã. E é neste ponto que surge uma missiva que essa intérprete recebera em meados do ano anterior.
Em 2020 está-se em confinamento. Os teatros de Berlim estão fechados. E Ursina Lardi recebe uma carta. É de Helga Bedau, uma admiradora do seu trabalho. Nada de muito novo. O que chama a atenção da atriz para a história desta espetadora é ela revelar-lhe que tem um cancro no pâncreas e que já não lhe resta muito tempo. Custa-lhe viver, para mais confinada em casa. Sofre por não poder ir ao teatro. Revela que na juventude participara como figurante num
Romeu e Julieta. É justamente esse o seu último desejo: voltar a pisar um palco.
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