A luta pela inscrição da memória anticolonial e negra no espaço público
No dia 18 de outubro, pelas 19h00, tem lugar, na biblioteca do Goethe-Institut em Lisboa, uma conversa sobre sobre o livro
De quem se esqueceu Lisboa? A luta pela inscrição da memória anticolonial e negra no espaço público, com a autora Leonor Rosas, Elsa Peralta, Miguel Cardina e Djuzé Neves.
Nos últimos anos, o movimento antirracista tem procurado repensar o espaço das nossas cidades e o legado que o colonialismo, a escravatura e o racismo deixam no mesmo – debate que se intensificou com o advento do movimento
Rhodes Must Fall, em 2015, e com o assassinato de George Floyd, em 2020. Seguindo este impulso e confrontando a perpetuação das narrativas lusotropicais e brancas no espaço público, o livro
De quem se esqueceu Lisboa? procurará perceber de que forma podemos ler relações de poder – de raça, classe e género – na paisagem memorial de Lisboa. Ao mesmo tempo, a investigação que origina este livro tem como objetivo estudar a relação entre o espaço, a memória e a colonialidade na cidade de Lisboa, particularmente as possibilidades e lutas pela inscrição de narrativas contra-hegemónicas, anticoloniais e antirracistas. Procura, assim, perceber quem tem lutado para fazer essa inscrição, de que forma e qual a sua importância.
Leonor Rosas é doutoranda em Antropologia no ICS-UL, onde está a desenvolver um trabalho sobre a memória colonial no espaço público nas cidades de Lisboa e Bruxelas. É mestre em Antropologia pela FCSH, onde estudou a memória colonial em Lisboa e as possibilidades de inscrição e uma memória anticolonial no espaço público. Desta tese de mestrado, resultou a publicação do livro
De quem se esqueceu Lisboa - A luta pela inscrição da memória anticolonial e antirracista no espaço público. É membro do projeto de investigação “Constelações da Memória: um estudo multidirecional da migração e memória pós-colonial”. É igualmente deputada na Assembleia Municipal de Lisboa.
Elsa Peralta é doutorada em Antropologia (Universidade de Lisboa, 2006). É investigadora principal no Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e investigadora associada do Instituto de Ciências Sociais (ICS), também da Universidade de Lisboa. No Centro de Estudos Comparatistas é coordenadora do Grupo de Investigação CITCOM (Cidadania, Cosmopolitanismo Crítico, Modernidade/ies, (Pós)Colonialismo) e coordena também a linha de investigação "Legados do Império e Colonialismo em Perspectiva Comparativa". Neste momento, coordena também o projecto financiado pela FCT “Constelações da Memória: um estudo multidireccional da migração e memória pós-colonial”. As suas obras incluem vários artigos, capítulos e livros. Os seus livros mais recentes são
Retornar: Traços de Memória do Fim do Império, Lisboa e
Memória do Império: Património, Museus e Espaço Público,
The Retornados From Portuguese Colonies in Africa: Narrative, Memory, and History e
Legacies of The Portuguese Colonial Empire: Nationalism, Multiculturalism and Citizenship.
Miguel Cardina é historiador e investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Coordenou, até janeiro de 2023, o projeto de investigação "CROME - Crossed Memories, Politics of Silence. The Colonial-Liberation Wars in Postcolonial Times", financiado pelo European Research Council (ERC - Conselho Europeu para a Investigação). É autor ou co-autor de vários livros, capítulos e artigos sobre colonialismo, anticolonialismo e guerra colonial; história das ideologias políticas nas décadas de 1960 e 1970; e dinâmicas entre história e memória. O seu livro mais recente é
O Atrito da Memória. Colonialismo, guerra e descolonização no Portugal contemporâneo (Tinta-da-china, 2023).
Djuzé Neves é filho de pais cabo-verdianos, natural da ilha de Santiago. Licenciado em Engenharia Florestal pelo ISA/UTL e pós-graduado em Proteção Civil - Emergência em Bairros Críticos pela UNI, é membro da Associação Cultural e Juvenil Batoto Yetu Portugal desde 1996. Faz voluntariamente direção musical e é percussionista. Djuzé tem promovido a criação de novos produtos culturais associados à diáspora africana, com o objetivo de reduzir o desconhecimento da cultura e história africanas no continente e na diáspora. Durante 13 anos, Djuzé trabalhou na formação, análise e avaliação de projectos da sociedade civil, bem como em políticas públicas destinadas a promover e valorizar o trabalho das comunidades migrantes a nível nacional no Alto Comissariado para as Migrações. Atualmente, Djuzé promove o afro-turismo em Portugal através da ONG Batotoyetu.pt, nas áreas da história, gastronomia, património e também promove um mapeamento digital da presença africana em Portugal.
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