Berlim Uma pausa em Berlim: descansar junto ao lago Stechlin

O clima dourado do outono dá-nos vontade de passear. Por sorte, a região de Brandeburgo, com os seus 3000 lagos, é rápida de aceder a partir de Berlim. Uma zona particularmente sossegada é a do lago Stechlin.

De Birke Carolin Resch

Os habitantes das grandes cidades reparam imediatamente na mudança Os habitantes das grandes cidades reparam imediatamente na mudança | Fotografia (excerto): Jonathan Date
Água cristalina, florestas verdes de faias e sobretudo: silêncio. O lago Stechlin, no norte de Brandeburgo, já fascinou o escritor alemão Theodor Fontane, quando, no final do século XIX, este visitou a pequena aldeia de Neuglobsow, na margem do lago. «Sem barcos, sem aves, também sem nuvens. Apenas verde e azul e sol», escreveu nas suas «Caminhadas pela Marca de Brandeburgo». Mais de cem anos depois, o veredito do escritor continua a ser válido. O lago Stechlin, também chamado de Grande Stechlin, é um local ideal para relaxar e respirar fundo. Visitá-lo no outono tem um atrativo especial: em setembro e outubro, com um pouco de sorte, ainda persiste calor suficiente para nadar, mas ao mesmo tempo está menos cheio e mais barato, pois o período principal de férias já terminou.

Chegar ao verde em menos de duas horas

O lago Stechlin está separado da capital por apenas cerca de 90 quilómetros. A partir da estação principal de Berlim chega-se lá em menos de duas horas, com o comboio regional RE 5 até Fürstenberg sobre o Havel e dali com o autocarro 839. De automóvel demora pouco menos de hora e meia. Saindo da cidade, o caminho segue na sua maior parte pela estrada B96, ao longo de pequenas localidades e de alamedas orladas por carvalhos, até finalmente surgirem as casas de enxaimel de Neuglobsow. Os habitantes das grandes cidades reparam imediatamente na mudança: o local é rodeado por um silêncio quase encantado.

Enxaimel tradicional ao lado de uma escola de ioga

Stechlinsee Stechlinsee | © Jonathan Date
Neuglobsow é um bom ponto de partida para explorar o lago e as redondezas. O spa estatalmente reconhecido no meio do parque natural de Stechlin-Ruppiner Land remonta a uma povoação ligada a fábricas de vidro. Muitas casas de enxaimel dos antigos trabalhadores das fábricas de vidro e a velha taberna ainda existem. Entre elas erguem-se moradias modernas, com macieiras em grandes jardins, várias casas de férias e uma escola de ioga. O turismo é importante para a aldeia, com os seus não mais de 260 habitantes, desde que as fábricas de vidro encerraram a sua atividade por volta de 1900.

A vida desenrola-se sobretudo na Stechlinseestraβe, que liga o lago Dagow, mais pequeno, ao Stechlin. Aqui há, por exemplo, o Café Glasklar, que se especializou em produtos sustentáveis e sazonais da região. Num terraço de madeira podemos degustar café, croissants e bolo caseiro, mas também delícias salgadas como caril de legumes, bagels e gulache de veado. No lado diagonalmente oposto, no Luisenhof e na Fontanehaus, há pratos tradicionais alemães de carne e de peixe, saladas e sopas.

Água cristalina com até dez metros de profundidade visível

Para chegarem ao lago, os visitantes têm de seguir a Stechlinseestraβe e andar alguns passos através de uma pequena floresta de faias. No caminho passam pelo Lästerbank [banco da má-língua], no qual está entronizada uma imponente senhora de madeira. Ela recorda as mulheres da aldeia que se sentavam aqui muitas vezes após as compras, para trocar novidades e mexericar. Apenas alguns minutos depois abre-se a vista para a água extraordinariamente límpida do lago. Dependendo da altura do ano e do dia, reluz através dos galhos em azul-escuro ou em branco prateado. O Stechlin é o lago mais fundo de Brandeburgo e o maior lago de água límpida do norte da Alemanha. No seu ponto mais profundo mede 70 metros. Uma pequena zona balnear com parque infantil e quiosque convida-nos a saltar para a água. Ou a remar em redor. É possível alugar, por exemplo, caiaques, barcos a remos e pranchas de stand up paddle. Dos barcos podemos ver até dez metros de profundidade.

Aperol Spritz © Jonathan Date No outono, todavia, veem-se normalmente poucos banhistas, mas, em compensação, muitos grupinhos pequenos envergando impermeáveis coloridos. Estão em pleno percurso de caminhada, de quase 14 quilómetros de comprimento, que começa na zona balnear e dá uma volta completa ao lago, passando por baías pitorescas, pela peixaria Stechlinsee com snack-bar incluído e por uma antiga central nuclear. Ao fim de três ou quatro horas chega-se novamente ao ponto de partida.

Não importa se passámos o dia a nadar, a caminhar ou a preguiçar – o local perfeito para o final é o pequeno quiosque com mesas de madeira na zona balnear. Ele espera pelos turistas esfomeados do dia com Aperol Spritz, pizzas, gelados e outros petiscos. Com um copo na mão e o olhar no lago, quase nos esquecemos de que temos de regressar a Berlim.