Berlim Berlim, cidade dos protestos e manifestações

Quem vive em Berlim sabe-o bem: a maioria dos berlinenses e das berlinenses é muito orientada politicamente e gosta de o tornar claro. As pessoas expressam a sua opinião, participam com prazer e com frequência em manifestações ou penduram cartazes nas suas varandas. Alterações climáticas ou gentrificação: apresento-vos aqui alguns exemplos.

De Lucas Galindo

Manifestação em Berlim Foto: STOP TTIP and CETA © Jakob Huber
Os berlinenses e as berlinenses são vistos como politicamente muito orientados à esquerda, se compararmos com outras cidades e o resto da Alemanha. Por exemplo, em 2018 expulsaram a Google do centro da cidade, pois a empresa planeava inaugurar o «Campus Google» para startups. Talvez até tivesse resultado na periferia da cidade, mas escolher precisamente o bairro de Kreuzberg, conhecido por ser de esquerda e verde, é capaz de não ter sido muito inteligente. Além dos protestos em frente ao edifício previsto, surgiram também graffiti anti-Google na paisagem urbana. Com sucesso: a empresa retirou-se, irritada.

Mas as políticas verdes e amigas do ambiente também são muito importantes para as pessoas daqui, com especial destaque, claro, para a luta contra as alterações climáticas. Como a sede do governo fica situada aqui, Berlim é, naturalmente, superadequada para enviar sinais aos políticos e às polítcas. Em setembro de 2021, tiveram lugar por todo o mundo manifestações pelo clima, e em Berlim juntaram-se mais de 100 mil pessoas, incluindo Greta Thunberg! Além de placas, cartazes e trajes criativos, houve também muitas apresentações musicais, festa e dança. Em comparação: em Munique compareceram a esta manifestação apenas cerca de 29 mil pessoas.

Para manifestações de bicicletas fecham-se até autoestradas

Igualmente interessante é o formato das manifestações de bicicletas: em 12 de junho de 2022, por exemplo, milhares de ciclistas reuniram-se e pedalaram juntos até ao famoso monumento Coluna da Vitória, no parque Tiergarten. O lema dos críticos e das críticas do automóvel era «Pega na bicicleta. Concretiza já a mudança no trânsito». Os transportes públicos, as bicicletas e os peões e peãs devem estar cada vez mais sob foco. Para o evento foram inclusivamente fechadas autoestradas (era domingo), que ficaram reservadas apenas para bicicletas.

Na cidade veem-se ainda hoje muitos punks ou pessoas que demonstram a sua posição política através da roupa. T-shirts com slogans, tatuagens e pins, ou um visual «alternativo» no geral, encontram-se mais frequentemente aqui do que em qualquer outra cidade alemã. Essa posição também se torna clara nas universidades: os estudantes e a administração estudantil são muito empenhados e é também frequente observar bloqueios e ações nos edifícios das universidades. Muitas vezes percorri o átrio da entrada e assisti ali a intervenções e discursos. Além disso, inúmeros cartazes e folhetos chamam a atenção para eventos e discussões políticas – eles estão afixados até nas árvores no caminho para o edifício principal.

Informa-te na net ou no Telegram sobre protestos em Berlim

Quem quiser estar informado sobre as próximas manifestações e eventos políticos em Berlim, o melhor que tem a fazer é visitar o site «Stressfaktor» [«Fator de stress»]. Trata-se da «agenda berlinense para a subcultura e a política de esquerda». Ali encontramos, entre os eventos, concertos punk, encontros solidários ou manifestos, por exemplo, por ocasião dos 10 anos da revolução de Rojava. Para informação: Rojava é uma região autónoma democraticamente organizada na Síria. Muitos berlinenses e muitas berlinenses mostram de bom grado a sua solidariedade com lutas políticas internacionais.

Mas também a aplicação de chat Telegram é muito apreciada para fins de organização política. Ela foi concebida como concorrência ao WhatsApp e é muito popular sobretudo entre pessoas jovens e alternativas de Berlim e de toda a Alemanha. A proteção de dados e a esfera privada são maiores ali – o que, infelizmente, também é muitas vezes usado em seu favor por grupos de direita e teóricos da conspiração. Mas o ativismo também existe aqui: o grupo público «Veranstaltungstermine Berlim» [«Calendário de eventos de Berlim»] possui, afinal de contas, mais de 2000 membros e o «Klima Action Berlim» [«Ação climática de Berlim»] informa cerca de 350 assinantes.

Se por acaso visitares Berlim em breve, mantém os olhos abertos: certamente haverá uma manifestação ou um manifesto que te poderão convencer da posição rebelde da cidade! Combina isso com os passeios turísticos: em frente à Porta de Brandeburgo, todos os fins de semana, é possível ver pessoas com placas a mostrar as suas preocupações.