Sobre o debate Controvérsias envolvendo Achille Mbembe

Achille Mbembe
Achille Mbembe | Foto (detalhe): Daniel Bockwoldt © dpa

Achille Mbembe deveria proferir o discurso de abertura da Trienal do Vale do Ruhr, em meados de 2020, que nessas alturas já foi inclusive cancelada. No entanto, o convite ao filósofo camaronês foi alvo de protestos. Mbembe sofreu acusações de antissemitismo, o que desencadeou um debate virulento envolvendo o nome do renomado autor, a cultura da memória na Alemanha e os estudos pós-coloniais.

Felix Klein, encarregado do governo alemão para questões relacionadas ao antissemitismo, foi uma das vozes que se opuseram à escolha do filósofo africano como palestrante na abertura da Trienal. Klein acusou Mbembe de relativizar o Holocausto. Segundo o político, Mbembe teria, além disso, em seus escritos acadêmicos, equiparado o Estado de Israel ao sistema de apartheid na África do Sul, o que corresponderia a um “conhecido modelo antissemita”.

Mesmo considerando que o festival de arte tenha sido cancelado em função da crise do coronavírus, uma acirrada controvérsia em torno de Achille Mbembe vem ocupando a mídia alemã desde então. Nessas alturas, a discórdia já gerou enorme ressonância também fora do país. O projeto Latitude abre, também neste contexto, espaço para o debate.