Laboratório

O projeto de uma ópera multimídia sobre a Amazônia

Teste de montagem para a terceira parte de Amazônia – Teatro música em três partes no teatro de mídia do ZKM │ © ZKM, Felix Gross


O relógio não pára. A devastação da floresta tropical continua. O desaparecimento é silencioso, mas incessante. Artistas e cientistas brasileiros e europeus, em parceria com o grupo indígena dos Yanomami, conferem agora uma voz à floresta numa ópera multimídia. Joachim Benauer

Numa extraordinária combinação de teatro música, tecnologia e ciência, um grupo de parceiros alemães, brasileiros, e de outros países europeus, se uniu para produzir uma ópera multimídia sobre as múltiplas dimensões da Amazônia, tematizando, principalmente, a alarmante situação da maior floresta tropical do mundo, seus recursos únicos e sua devastação praticada há décadas. A produção artística do projeto orientou-se, para isto, nas mais recentes pesquisas tecnológicas e antropológicas. O trabalho conjunto com os grupos indígenas do Amazônia é entendido aqui como um diálogo tardio entre contemporâneos. Um amplo programa de divulgação incluindo simpósios e publicações, e um programa pedagógico para escolares complementam a fase de dois anos de produção da ópera, que deverá estrear em 9 de maio de 2010, por ocasião da XII Bienal de Ópera Contemporânea de Munique, seguindo-se apresentações não apenas no Brasil, mas também em Lisboa. Partes do projeto também serão apresentadas em Roterdã e Viena.

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“Certamente, haverá mal-entendidos. Mas bem que poderiam ser mal-entendidos produtivos.” (Joachim Bernauer)


A história da ópera refere-se ao que Peter Sloterdijk denominou de “dor amazônica”, ou seja, o medo da perda iminente. A floresta tropical é a protagonista da ópera. Ela ganha voz não apenas através das obras de arte multimídia dos artistas e cientistas alemães e brasileiros, mas também através dos Yanomami – um dos últimos grandes povos indígenas da América do Sul. A cosmologia indígena e a espiritualidade dos xamãs são confrontadas com uma visão de mundo tecnocientífica, produzindo um novo olhar sobre todos os temas relacionados à Amazônia: biodiversidade, queimadas e genocídio, mas também, biogenética, nanotecnologia e mudanças climáticas. Baseados nesses complexos contextos surgem trabalhos artísticos que deverão levar o público a ver e ouvir o mundo de uma forma nunca antes experimentada.

Joachim Bernauer, Brasil 2008 / © Amazônia – Teatro música

Um grupo cada vez maior de especialistas e artistas brasileiros e europeus trabalha neste projeto desde 2006: os artistas multimídia Peter Weibel e sua equipe no ZKM Karlsruhe e José Wagner Garcia, Leandro Lima e Gisela Motta (São Paulo), os compositores Klaus Schedl (Munique) e Tato Taborda (Rio de Janeiro), o sociólogo Laymert Garcia dos Santos (São Paulo), o xamã Davi Kopenawa Yanomami (Watoriki), o antropólogo Bruce Albert (Paris/São Paulo) e o diretor cênico Michael Scheidl (Viena). Peter Ruzicka (Bienal de Munique) assumiu a direção musical e Peter Weibel (ZKM Karlsruhe) é responsável pela arte multimídia.
Joachim Bernauer
é diretor geral do Goethe-Institut Lisboa.

     

    “Certamente, haverá mal-entendidos. Mas bem que poderiam ser mal-entendidos produtivos.”