Lars-Ole Walburg


© Marcus Lieberenz
Nasceu no dia 4.1.1965 em Rostock. Começou a trabalhar como redator independente para a TV. Em 1989 deixou a RDA. Em 1992 recebeu o renomado prêmio Grimme pela revista Kaos, que ele ajudou a desenvolver. Entre 1989-1992, estudou teatro e germanística na Universidade Livre de Berlim. Em 1992 fundou o grupo Theater Affekt com Stefan Bachmann, Ricarda Beilharz, Tom Till e Thomas Jonigk.

Entre1996-1998, foi dramaturgo e diretor no Deutsches Schauspielhaus em Hamburgo. Depois foi dramaturgo-chefe e diretor do Theater Basel. Em 1999 sua encenação de O Misantropo foi convidada a participar do Berliner Theatertreffen (Encontro de Teatro de Berlim) e ele foi eleito “jovem diretor do ano”. Suas encenações são freqüentemente convidadas para o teatro Münchner Kammerspielen. Desde a temporada de 2003/2004 é diretor no Theater Basel, sendo sucessor de Stefan Bachmann.

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Perfil: Lars-Ole Walburg

Desde os tempos em que estudava Ciências Teatrais e Letras, Lars Ole-Walburg trabalhava paralelamente como dramaturgo e diretor teatral. Em 1992 ele fundou, juntamente com Stefan Bachmann, Ricarda Beilharz, Tom Hill e Thomas Jonigk o Theater Affekt, e já naquela época ele se considerava o cérebro dramatúrgico do grupo. Mas ele também encenou peças como “Édipo Rei”, de Sófocles, deixando claro que ele também tem uma predileção pelos grandes materiais clássicos.

Lars-Ole Walburg investiga os clássicos não somente devido ao seu teor intelectual. Ele também os atualiza, através da inserção de outros textos, e com isso ele obtém transposições cênicas surpreendentes. Isso se aplica tanto às encenações que fez em Basel da peça “Os Nibelungos”, de Christian Friedrich Hebbel, e do projeto sobre a Antigüidade, “Guerra de Tróia”, quanto à encenação, no teatro Münchner Kammerspiele de “A morte de Danton", de Büchner, que ele transformou em uma guerra de lama de uma democracia desenfreada, dominada pela mídia.

Em todos os casos, na fase de preparação da encenação, Lars-Ole Walburg edita as peças clássicas com outros textos, ao modo de uma colagem. Quando ele efetivamente transpõe a colagem de textos para o palco, porém, ele não é nem um pouco um diretor da desconstrução, mas sim confia num teatro que vai ao fundo dos personagens.

Em “Os Nibelungos”, por exemplo, ele meramente usou partes do texto de Hebbel e acrescentou, entre outros, alguns fragmentos de Edda. O que se viu em Basel - quando Kriemhild e Siegfried se encontram pela primeira vez - foi um grande teatro de atuação. A bela loira da Burgúndia flutuava sobre as costas do guerreiro como se o amor lhe tivesse dado asas. No caso de “Danton”, Walburg entremeou trechos de protocolos dos processos judicias da RAF (Rote Armee Fraktion) com o texto de Büchner, enquanto dois moderadores conduziam o público como se este fosse um “gado de voto” facilmente manipulável pela mídia.

Em “Guerra de Tróia“, Lars-Ole Walburg começa com Iphigenie in Aulis, de Johann Wolfgang Goethe, e, após a pausa, continua com “As Troianas” de Eurípides, numa releitura de Walter Jens. O resultado foi um comentário sofisticado da situação política no Oriente Médio. A campanha dos gregos contra Tróia mostrou porque políticos poderosos querem guerras, e as conseqüências dessas guerras.

Lars-Ole Walburg reduz os textos teatrais ao seu cerne intelectual, e para este cerne, ele encontra imagens monumentais. Na Estréia em Hanover do monólogo de Albert Ostermeier, Erreger, o enredo trata de um homem poderoso da nova economia, que não percebe que o seu poder ficou reduzido. Na transposição cênica, Lars-Ole foi longe demais. O ator Thomas Thieme se encontrava deitado lá embaixo, no palco mais inferior, como que amarrado sobre uma mesa de dissecação, enquanto os espectadores olhavam de cima para aquele ser que parecia um inseto e a quem só restara a voz como meio de comunicação.

Nos últimos anos, ele se tornou um dos representantes mais avançados de uma corrente de direção que concebe o teatro como uma instituição moral. “Fico muito incomodado quando a visão das coisas se torna cínica”, disse ele numa entrevista. E ainda: “Schiller, por exemplo, não exige somente o que é ético, mas enfatiza sobretudo a inseparável ligação com o estético. O decisivo é que os elementos de formação não venham de uma forma didática e doutrinal. Afinal, a moral também pode ser obtida através da representação do oposto.”

Desde a temporada de 2003/2004, Lars-Ole Walburg é diretor teatral do Theater Basel, e o seu programa comprova que ele entende o teatro como um instrumento, através do qual podemos pensar a sociedade.

Jürgen Berger

Encenações - uma coletânea

  • Sófocles Antígona
    2004, Kammerspiele München
  • Homero A Odisséia
    2004, Theater Basel
  • Johann Wolfgang von Goethe Fausto I
    2003, Theater Basel
  • Euripides / Walter Jens Guerra de Tróia
    2003, Theater Basel
  • Rainald Goetz Guerra Santa
    2002, Kammerspiele München in der Jutierhalle
  • Georg Büchner A morte de Danton
    2002, Kammerspiele München
  • Arthur Miller A morte de um caixeiro viajante
    2002, Theater Basel
  • Nach Christian Friedrich Hebbel Os Nibelungos
    2001, Theater Basel
  • Albert Ostermeier Erreger (Provocadores)
    Estréia 2000, Staatstheater Hannover
  • Friedrich Schiller Os bandoleiros
    2000, Theater Basel
  • Henrik Ibsen O misantropo
    1999, Theater Basel, Convite para o Berliner Theatertreffen (Encontro de Teatro de Berlim)
  • Alfred Dorfer / Josef Hader Indien
    1997, Deutsches Schauspielhaus Hamburg
  • Bernard-Marie Koltès Roberto Zucco
    1996, Festwochen Berlin
  • Alexander Sepljarskij Das Dritte Rom (Terceira Roma)
    1995, Volksbühne Berlin
  • Sófocles Édipo
    1994, Studiobühne FU Berlin
  • Bertolt Brecht / Benno Besson O processo de Joana d´Arc de Rouen
    1993, Studiobühne FU Berlin
  • Thomas Brasch Mercedes
    1992, Studiobühne FU Berlin

After the Fall – Europe after 1989

A European theatre project by the Goethe-Institut on the impact of the fall of the Berlin wall